quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sem pressão. 30/11/2016

Ninguém gosta de pressão. Honestamente, eu não queria ser essa namorada chata. Eu queria ser aquela mulher encantadora de quando os paqueras me olham como se eu fosse a última coca-cola do deserto. Hoje, estive conversando com o ex 95%. O que eu estou agora é 80, então, já dá para saber de quem se trata. Não que eu quisesse fazer ciúmes, mas eu sabia que ele me daria as respostas mais inteligentes. Acabei tendo uma raiva em uma entrevista e desabei em choro. Ele, atencioso como é, perguntou o motivo. Nem era tanto pela entrevista. Eu sabia que havia feito uma outra besteira. Estou me esforçando para recuperar a mulher magnífica, não para não perdê-lo, mas para não me perder. Este relacionamento tem todo o potencial para ser o melhor possível. Ele é paciente, temos projetos, gostamos de estar juntos. É um amigo por quem tenho tesão, como disse o Flávio Gikovate. Amigo. O 95 disse exatamente isso: encare ele como uma amigo com quem você tem privilégios. Eu ri. Privilégios sexuais, né? Privilégio é você conversar com um ex sobre seus problemas com o seu namorado. Disse para ele também que existem outros motivos que poderiam ser um problema e não são. Todas as crises quem cria sou eu. Na hora da raiva, eu tenho certeza de que tenho um problema, quando ele escreve" Nós não somos mais dois adolescentes", eu caio na real de que estou sendo uma grande tola. Lembrei também de uma vez em que eu disse ao 95 que eu queria um namorado que me desse liberdade, que não se chateasse, não fosse ciumento e que eu pudesse ser eu. O 80 é exatamente isso. Ele é 80 por cento de tudo que eu queria. Veio a história da pousada. Eu bati o pé que não queria ir para um motel. Amor foi e resolveu reservar um pousada com a cláusula que ia namorar a noite inteira. Eu me senti tão pressionada que minha libido foi à zero. Nessas horas eu entendo que ninguém gosta de pressão. Nem ele, né. Se eu me colocasse no lugar dele... Sei lá, tem uma tal de dependência afetiva, emocional e psicológica. Pense em um carma. Satanás fica no seu ouvido " ele está com outra" . A tonta começa a sofrer por antecipação. kkkk Pense numa tonta!!! Ou então ele diz "Ele não está sentindo sua falta". A tonta se desespera. Minha gente, tem horas que eu sou burrinha!!! Eu utilizo o raciocínio mais ilógico possível para embasar minhas loucuras. Como se ficar louca fosse segurar alguém. E pior que já namorei tanto, que como disse o 95, eu já deveria estar no doutorado!!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Como se não tivesse havido pausa entre nós. 24/10/2016

Tanta felicidade merece um texto. Sei lá, nessas horas, eu entendo quando se diz que a curva mais bonita de uma mulher é a curva do sorriso. E não precisou de pose ou tentativas para conseguirmos o sorriso perfeito e a foto perfeita. Em cada curva do meu rosto, naquela fotografia, qualquer pessoa é capaz de enxergar minha felicidade. E hoje, quis fazer o antes e o depois. Tem a nossa primeira foto, que guardei em um CD como se um dia eu a fosse querer novamente. Tem a nossa foto nova que eu quis tirar para degustar essa sensação de "pause e play". Como se não tivesse havido uma pausa entre nós. Eu paro e me sinto tão bem nos braços dele como antigamente. O tempo foi generoso conosco. A foto antiga é bem estranha, mas é como se ela fosse uma caixa de Pandora onde fomos capazes de guardar aquele nosso céu. E olhando as duas, lado a lado, eu não consigo ver uma foto estranha, eu apenas consigo ver nossas emoções guardadas nelas. Como se beleza não fosse tudo na fotografia. O antes e o depois tem uma magia, uma magia infinitamente bela e de valor imensurável. Mas, é lindo ver o antes e o depois, essa é toda a beleza que as fotos necessitam ter. E após tanto tempo, eu ainda me sinto bem nos seus braços, como na primeira vez.
Em meio as minhas sessões de culpa, me pergunto porque o momento tinha que ser esse. Pensei em uma frase que dizia: Deus nos manda o que necessitamos em uma forma que não queremos. Medito e analiso várias vezes sobre essas coisas.

No dia anterior, fui dormir imaginando a gente na praia. "Meros devaneios tolos a me torturar". Dizem que sonhar é bom porque é de graça. Sonhar é muito próprio das crianças. Eu ainda não perdi esse antigo hábito. Para ser honesta, achei improvável irmos à praia. Sabe como é: a gente combina, combina e nada funciona. Antes de ir, me lembro que ele falou: vai ser do jeito que você imaginar (ou coisa assim). Eu imaginei também como seria o primeiro beijo com alguém que você já beijou. O primeiro que não é primeiro. Gente, que coisa louca!!! Foi no sinal. Simples assim!!! Era umas cinco da tarde. Depois, sushi (absurdamente perfeito). Então, tchan, tchan!!! Casa. Fui me arrumar e senti aquela falta. Acho que ele sentiu também, porque, quando menos esperei, ele ligou. "Amor, longo ou macaquinho?" Fui de longo. Meu longo preto preferido, que eu sabia que ele amaria. E depois, praia. (Eu sonhei com praia, amor). Praia, para mim, só à noite. Nem sei se compensa contar como foi. Depois de pensar que não aconteceria, foi melhor que qualquer lugar. Sabe as escadas? Tem a praia. Tem aquele mar lindo e imenso que se pinta do chão ao céu e que canta músicas suaves. Tinha um fundo atrás com algumas luminárias. Nós não precisávamos de cenário mais perfeito. O colo dele e estar com ele era exatamente como sempre. Aquele lugar perfeito perdido no universo.Dentro daquelas horas houve uma felicidade tão plena e tão simples que só a gente é capaz de entender. As fotos, o nome na areia, nossa lua que aparecia e desaparecia entre as nuvens como se quisesse brincar conosco, aquele barulho do mar e mais uma hora de terapia. Meu psicólogo... Tinha uma intimidade simples entre a gente, uma cumplicidade, uma confiança. Ás vezes, ele passava a mão pelo meu corpo e eu não me sentia desconfortável ou intimidada, era como se há anos ele já fizesse isso, como se aquilo fosse natural, e , conversar com ele sobre algumas coisas, foi fácil.
Fim de contas, chegamos quase às duas em casa. Com dezesseis, não era tão difícil assim a gente se encontrar. Bastava irmos para a escada. Mas, o que teve de bronca com vinte sete!!!!
Bem, no sábado, ficamos longe. Ele saiu com a irmã e eu me senti bem. Sem estress, sem preocupação. Eu sabia que ele estava bem e eu estava suficientemente tranquila com isso. " Amor, quero que seja tudo diferente com você" Já é, amor. É tudo como deveria ter sido sempre. Ele ainda disse que a irmã dele gostava de mim sem saber quem é. kkkkk. Ela bem sabe!!!! Eu me senti feliz com isso. Bom, domingo foi complicado. Hora de voltar. Eu tinha umas duas horas para aproveitar a companhia dele. Sushi. (Tem que ter sushi no meio para me fazer feliz!!!) Na volta, ele ligou o som e eu ouvi uma música linda. Eu fechei os olhos, porque eu queria guardar aquele momento. Aquele frio (do ar), as mãos dele, o cheiro, a música. Aquela nuvem me fez feliz. Naquele momento, eu senti que tudo poderia ser perfeito. Tudo ali estava perfeito.

Amor, o texto ficou muito piegas!!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Crônicas e canções 03/10/2016

Pensei, novamente, em mudar o nome do meu blog para crônicas e canções. Algumas pessoas, talvez, não entendam porque escrever tanto sobre si. Não sei, mas isso me lembra Clarice. Escrevo, porque são muitos pensamentos que não consigo organizar. Existe um Grande Conflito dentro de todos nós. Meu inconsciente, como já disse, me faz esquecer algumas coisas que me impactam, mas, às vezes, precisamos nos lembrar para que haja superação. E nessas crônicas que escrevo, existe um misto de poesia e dor que tocam suavemente com uma melodia de Chopin. Você já descobriu minha autora preferida e o meu clássico favorito. Estava pensando sobre isto essa manhã, porque lembrei dele novamente. Para ser honesta, ele quase não me deixou estudar ontem. Ele toca suavemente no meu ouvido como uma canção bonita. Penso que o que faz alguém ser bonito é o quanto ela nos faz sentir especiais. Ele me perguntou porque eu não insisti. Ninguém valoriza quem insiste, e ele se assustou quando  falei que não amo ninguém que não me ame. Simples assim. Naquele tempo, ele era o melhor lugar do mundo, e, eu gostava de ficar sentada na escada com ele, conversando sobre qualquer coisa e me perdendo nas horas. Sem ciúmes, sem aborrecimentos, sem ansiedade, e tenho a sensação de que naquele tempo, Deus derramou o céu sobre nós. Nós tínhamos o que eu chamo de namoro limpo. Em um namoro limpo, temos a oportunidade de perceber nitidamente as nuances da personalidade de alguém. Ele foi um alívio para mim, que vivia de qualquer jeito na casa da tia, que quase não tinha amigos e que vivia sozinha naquela selva de pedras. Não sei se seria melhor não ter reencontrado aquela nuvem que estava guardada tão profundamente. Não consegui, por mais que tenha procurado, achar onde tropecei nessa história. Mas, quando fecho os olhos, vejo aquela escada, nós dois sentados e ele passando a mão nos meus cabelos, como se aquele menino, mais novo que eu, fosse capaz de  me proteger. Ele me protegia, porque, o carinho me fazia sentir a pessoa mais importante do mundo. Em qualquer lugar em que eu estivesse, aquela nuvem estaria sobre a minha cabeça. Eu sabia para onde correr depois de tudo. Todo o cuidado, respeito e palavras amáveis foram essa nuvem. Fico pensando naquela foto, porque ela vai me levar de volta para lá. Eu, chegando do colégio e indo para a casa dele. O resto dos meu pensamentos, ainda não organizei. Vez ou outra, subo na nuvem, perto do céu e fecho meus olhos.

domingo, 31 de julho de 2016

Não compensa

Ontem estava na casa de uma amiga e a irmã chegou com um temaki de camarão. Há uns meses parei de comer camarão, porco dentre outras coisas. Obediência é um exercício diário. Não é uma questão de : " A sua Igreja diz que não pode comer", na verdade, A Bíblia diz que não pode comer e acho que já acabou o tempo de eu QUERER desobedecer. Tudo bem, eu também não deveria tomar refrigerante porque meu corpo é o templo do Espírito e eu devo zelar por ele, mas, estou tentando e sei que quando eu conseguir me livrar desse vício, muitas coisas boas virão. O fato é que, enquanto a menina comia, eu pedi uma ponta que não tivesse camarão e a irmã dela me disse: "tem o gosto, é pecado" em um tom de deboche. Respondi que o que vale é a consciência, a resposta simplesmente saiu e ela fez que não ouviu. Isso me incomodou a noite inteira.Ele nem me repreendeu por eu ter bebido wisky na formatura dela. É engraçado, isso. Parece que as pessoas se incomodam mais quando eu faço uma coisa certa do que quando eu faço uma errada. Pior, é quem nem compensa discutir.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Não jogue pérolas aos porcos.

A melhor coisa que já dei a alguém foi desprezo. Não é raiva, apenas distância. As pessoas nos respeitam mais assim, a certa distância. Comprei um colchão novo. Gosto de colchões de casal, mas, por muitos motivos, decidi comprar um de solteiro e quase não me acordei hoje. Estava cansada de rede. Meu corpo queria esticar-se com tudo o que podia e, apesar dos problemas que não me esquecem (porque, tento esquecê-los), dormi muito. Hoje comprei uma tinta amarelo vanila para terminar de pintar a casa. Gosto da combinação azul e amarelo. Bem, acabei de ver uma foto de um fulano que poderia me magoar. Não me magoou, ele tirou rapidinho como se aquilo fosse me incomodar. Então, meu eu, totalmente eu diz: Despreze este também.Carinho demais, atenção demais, pode ser desperdício. Sufoque a dor quando ela vier.  "Não jogue pérolas aos porcos", guarde-as para quem merece.

PS: Qualquer lugar serve quando vc não sabe onde quer ir (ou o que quer ser)



Encontrei um texto muito bom sobre o assunto. Segue link

http://www.contioutra.com/nao-fico-mais-com-raiva-so-olho-penso-e-me-afasto/

terça-feira, 26 de julho de 2016

Obedecer e confessar.

        Estou devendo esse texto desde sábado. Meu compromisso de adoração a Deus de todos os sábados é, também,  escrever. Acredito que Davi tivesse essa mesma ânsia de escrever que eu tenho, porque, sempre que começo, lembro-me dele. Incrível, mas Marina também tem essa facilidade. Maria Clara Mandou um desenho para ela pintar. Ela pintou, mas não sentiu-se satisfeita, enviou uma historinha escrita por ela. Preferi guardar a lembrança apesar dos erros de ortografia. Aqueles erros me doeram na alma. É como se os erros ortográficos da Marina fossem prova da minha falha. Mas, pensei e decidi que vou usá-lo para fazer uma limonada. Acontece que eu estava assistindo a Novo Tempo e uma professora falou sobre um método "medieval" de fazer as crianças repetirem vinte vezes a palavra que erraram. A professora fazia isso com vinte crianças, então, posso fazer isso com uma só. Aí, veio Luiz Neto falando sobre educação conservadora, então misturei com alguns aspectos bíblicos em um bolo só. Eis, uma nova teoria. Lembra da história do amor inteligente?
      Crianças precisam aprender fortemente duas coisas, e ao meu ver, são duas grandes virtudes para o cristão e para o ser humano, em geral. Entendo que são fundamentais, porque, delas, outras se desenvolvem. A primeira é a obediência. E não é uma obediência como nós, brasileiros, aprendemos:  Aquela com jeitinho brasileiro. Obediência é OBEDIÊNCIA. Cumprir sem relativismos. Como advogada, percebo que nós relativisamos tanto as nossas leis, que o "pobre" do STF precisa viver emitindo súmulas para explicar isso e aquilo. Bem , o primeiro pecado de Adão e Eva foi justamente por desobediência. E pecado quer dizer, justamente, transgredir a Lei. Segundo ponto: confessar. Só se pode confessar quando se tem caráter suficiente para assumir seus erros. A velha orientação de minha mãe foi-me útil: Se errar, eu posso até perdoar, mas se negar, apanha pelo erro e pela mentira. Lembrei de um rapaz que, apesar de ter namorada, ficou me cercando e não foi homem suficiente para assumir o que fez. Acho isso desprezível.
        Dos dois princípios, o que foi mais difícil para mim, foi obedecer. Eu sempre obedeci porque eu quis, e o que eu não queria, não obedecia e ponto. Mas, assumia. Assim, sempre pequei, mas nunca fui hipócrita. Faltava, então o arrependimento.
    Lendo um texto de uma amiga, onde ela falava em si pertencer, percebi outra coisa: o que eu sou e o que eu quero ser. Bem, um dia, decidi que queria ser mãe porque acho o trabalho de educar uma criança uma função incrível. Sou. Decidi que queria me formar em Direito porque eu quero ser juíza.
Me formei. Sou apaixonada por karatê. Decidi que queria ser karateca e para isso, faço os esforços necessários. Então, para tudo o que eu quero ser, isso me exige um tipo de esforço. E percebi que eu quero ser adventista e que isso também irá me cobrar certos esforços. O primeiro deles é a obediência. Então, agora, sabendo o que eu quero ser : mãe, juíza, karateca e adventista, já posso pagar o preço por estas coisas, porque, se eu não estudar, não serei juíza, se eu não educar os meus filhos, não serei mãe (pelo menos, sob o ponto de vista que eu entendo ser a função de uma mãe), se eu não praticar o karate e seus fundamentos, não serei karateca, e se eu não cumprir com a verdade que eu conheço, não serei adventista. "Nunca é alto o preço para pertencer a si mesmo". Eu entendo "pertencer a si mesmo" como sendo aquilo que eu quero ser.  O preço que eu vou pagar é para ser o que eu quero ser e não o que os outros querem ou o que as minhas limitações me permitam.Todo dia é dia de pagar o preço.

domingo, 17 de julho de 2016

Ás vezes penso na necessidade que as pessoas têm de parecerem ser. Me irrita que me cobrem que eu não tenha um carro. E tenho muitas qualidades para precisar ser validada por um carro.

Sábado e o amor inteligente

Acordei. Ah, se fosse quase nove, hoje não daria para ir para a Escola Sabatina. O que importa o que pensem. Eu não me importo com a opinião de ninguém quando quero fazer algo errado, porque hei de me importar para fazer algo certo? Também pensei: puxa, Dálleth, você não precisa trabalhar sábado, sua Igreja fica a dois quarteirões de casa. Deus vai te cobrar isso. Voei para casa, vesti o vestido de quarenta reais super  comportado e super confortável que vesti durante a semana inteira e decidi estrear o scarpin novo da Dakota que ainda estava dentro de saquinhos. O scarpin super  desejado era o calçado certo para ser estreado em um culto. Lembrei-me de Maíza Ribeiro falando sobre os sábados, em que ela ía com a roupa mais bonita para a Igreja, e que ela tinha 'as roupas de sábado". Eu quero que minha filha tenha “As roupas de Sábado”, e eu já estou separando também essas roupas para mim.  Saí ainda de cabelo molhado. Não estava uma crente cafona. Estava uma crente elegante. Tenho uma amiga que me provou que usar saia e blusa de manga é um estilo elegante. Ela ía assim para os cultos. Ela me mostrou  que andar bem coberta não é sinal de velhice, mas sim de finese, de classe, de educação e de polidez. E hoje, mesmo quando eu não vou para o culto, me visto assim e é assim que gosto que minha filha se vista. Um projetinho de Dálleth, mas melhorada.  Nos últimos cultos que frequentara, me aborreci cedo, mas hoje não. Na noite anterior, antes de dormir, eu não só sonhei com os projetos que queria realizar, mas pedi-os a Deus, e na hora do culto, foi como se Deus me dissesse: “Pronto, isso aqui é o que você precisa fazer”. Ah, Senhor, entendi. Eu sabia que estava faltando alguma coisa para ser feita por mim -logo, quando tudo se realizar- contarei.  Na noite anterior, acabei chorando no divã do Deus. É assim, quando você começa a orar e acaba chorando, sem saber direito o porquê.
Acabou a historinha do “Eu posso tudo”. A vida me mostrou, amargamente, que eu posso poucas coisas. Por esta razão, eu digo aos meus filhos as coisas que eles não podem fazer. Criar um filho de forma indisciplinada é uma atitude muito cruel para com os filhos. Digamos que seja um tipo de amor burro. Disciplinar é um amor inteligente.
No fim de semana em que eu fui para Morada Nova, Marina me perguntou quando eu comecei a educá-la. Marina tem "umas perguntas". Ela tem  consciência de que algumas atitudes minhas não são falta de amor, mas sim de um sistema racional de lidar com eles. Eu respondi que eu comecei desde que ela era bebê. É verdade, com um ano e meio, quando eu a chamava, contava até três. Eu nunca precisei espancá-la e bati muito pouco. Para falar a verdade, eu bati muito mais por descontrole do que por ineficácia dos métodos. 
Mesmo Artur, que é mais mimado (Não por mim), me surpreende. No culto, ele saiu da salinha das crianças. Eu o vi passar pelos arredores do templo. Quando ele percebeu que eu levantara, correu de volta para o lugar em que o deixei. Pouco depois, saiu novamente. Eu não precisei dizer nada. Peguei-o pelo braço, sentei-o no banco ao meu lado, e apesar de deitar e rolar no banco, não se atreveu a dizer nada. A forma como os pais observavam aquilo, me mostrou que eles estavam surpresos com o comportamento deles, já que, com minha mãe, é um pouco diferente. Marina sequer saiu da salinha. Ela é “sage”.

Quando a olhava de longe, sentia orgulho em vê-la bem arrumada. Ela estreou um sapato novo também, além de um vestido que mandara fazer. Foi ainda com um laço vermelho enorme no alto da cabeça que iniciava uma trança fake. Eu olhava e pensava, é esse o estilo de vida que quero que ela tenha. Um estilo de vida que eu não aceitei, mas que eu sei que teria sido o melhor. Educação é como nome, é escolha de seus pais, mas aquele que você gostaria de ter, você só poderá dar aos seus filhos, nunca a si. 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

A verdade

Durante o fim de semana, ajudei um rapaz com uma matéria sobre Direito Romano. Na oportunidade, lembrei-me de um filme "O Clube do Imperador". É incrível como as nossas experiências nos fazem, cada vez em que assistimos a um filme pela segunda, terceira ou quarta vez, perceber novos detalhes. Das primeiras vezes, senti que o filme era bom, só que agora, entendi uma parte da "moral da história". Uma parte, porque sei que da próxima vez, entenderei algo novo ou diferente. A melhor coisa que ouvi do roteiro, foi uma lição, de um dos filósofos clássicos em que diz que as virtudes são ensinadas e não natas. Assistindo um dos vídeos do Olavo de Carvalho "Verdade de Fato", ele fala que as experiências das pessoas prestes a morreres são de que deveriam ter vivido com mais verdade. Bem, ninguém precisou me ensinar isso, mas, não sei se o que eu entendo sobre caráter, não sei se meu sol em áries, e não sei se minha ideia de religião, me fizeram entender muito cedo que era isso o que eu queria. Minha mãe me dizia que se eu fizesse um mal feito, contasse. Ela me perdoaria pelo erro, mas, se eu mentisse, apanharia duas vezes: pelo erro e pela mentira. Essa postura materna me proporcionou uma certa autenticidade. Não só isso. O fato de ela ser muito libertária, me deu apoio para esse tipo de comportamento. Ainda acho que a minha natureza me traz
essa essência, muito mais que ter aprendido essa virtude. É lamentável, às vezes, quando sei que Marina andou mentindo. Isso me faz me lembrar a fraqueza moral do pai dela. Ela tem um certo jeitinho de manipular os fatos. Isso me incomoda e, da última vez em que estive com ela, fui bem clara quanto a isso. Pensei em colar papeizinhos dizendo: "Não pode mentir" ou "Mentir é feio". Ainda não descartei a ideia. Uma vez, me pediram determinada coisa e respondi que não, me justificando em seguida. Disseram que eu estava dando desculpas e fui enfática : "Sou a favor da autonomia da MINHA vontade, portanto, não preciso mentir se eu apenas não quiser fazer algo. Às vezes, minto. Na verdade, tento analisar o custo benefício daquela verdade, mas em geral, bato o pé e pronto. Eu aprendi que você consegue muitas coisas verdadeiras na vida quando se é verdadeiro com a vida. Por poucas que sejam, são verdadeiramente suas.  Lembrei-me de quando a minha ex-sogra (que infelizmente, civilmente, nunca será realmente ex), dizia a meu ex-cunhado (a mesma coisa) para não se casar na Igreja, porque na Igreja a pessoa não se divorcia. Nesse contexto, a união estável já era reconhecida civilmente para todos os efeitos de pensão, divisão de bens, etc. Então eu pensei, puxa, se a gente não engana mais o Direito, a gente também não engana Deus. É como se casar só no civil, ou não casar, fosse suficiente para enganar a Inteligência Divina. A Bíblia diz que o Diabo é enganador e Pai da Mentira. Junte tudo e ... Pois é. Outro vídeo em que um filósofo cristão falava para alunos de uma universidade, esclarecia que a quinta prova da existência de Deus era a experiência com Ele. E, em outro vídeo do Olavo, ele menciona que DEUS está muito além da Doutrina, ele quase diz que a Doutrina cega a fé verdadeira. Isso fica bem claro em uma outra postagem que fala sobre a minha experiência claustrofóbica ao ir para o Templo. E por fim, a Bíblia diz: Conhecerei a verdade e a verdade vos libertará. É isto. A verdade é Deus para a religião, a Verdade é virtude para os filósofos, e a verdade  é um modo de vida. A verdade também é um sustentáculo para a autonomia da sua vontade. Acho que descobri mais uma lei  materna para os meus filhos. Talvez, eu não tenha aprendido da melhor forma possível, mas aprendi.

domingo, 5 de junho de 2016

Igreja

Vi uma postagem hoje que me incomodou. Falava sobre a menina que foi estuprada por trinta e três homens. Eu quis comentar na publicação, mas preferi falar in box. Na justificativa, o autor da postagem me disse que "Quem procura, acha". Perguntei para ele o que ele pensaria se o fato de eu andar com roupa curta fizesse que alguém pensasse o mesmo sobre mim. Ele respondeu que não era a mesma coisa. O pior é que, nas aulas de Medicina Legal na Faculdade, um dos alunos que é escrivão da Polícia, tentou defender a tese de que a vítima pode provocar o crime. Eu, que ia com shortes curtos, me indignei. A questão é que, por causa do meu físico, qualquer roupa parece provocante. Mas, afinal, não é sobre isso que estamos falando. Não importa se eu quero sair com roupa provocante. E daí? Isso não dá direito a ninguém de invadir a minha zona de privacidade, a minha dignidade.  Lembrei -me de um rapaz que falou que se ele percebesse durante o ato que a garota não estava afim, ele parava. Eu não entendi na hora, e eu tinha até o hábito de terminar mesmo com dor, mas ele me explicou que aquilo era estupro e que eu não deveria aceitar. Eu parei para pensar. Nem eu estava respeitando os meus limites, poxa. Eu aceitava fazer uma coisa que de fato eu não estava querendo, e eu percebi, que nós mulheres somos ensinadas, de uma maneira ou de outra, que nós DEVEMOS satisfazer um homem. Acho que eu fiquei mais estarrecida por ter me dado conta tão tardiamente do meu comportamento absolutamente irracional. Ele ganhou a minha admiração. "Nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo." 
  Sim, eu sei, ele era o maior ateu de todos os tempos, mas eu ainda acho que ele tinha razão.

Bom, falei para o rapaz sobre um provérbio que diz :"Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados.
Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados".
Ele, membro do ECC, tendo uma conduta tão anti cristã. Me perdoem a virgenzinhas do ECC, eu admiro a virgindade, admiro mesmo, mas eu conheço algumas pessoas de grupos como ECC e Shalom, que por favor, se revestem de imagem e hipocrisia. 
Me deu um click. Não é que eu não goste de ir ao culto. Eu realmente gosto, mas eu me preocupo tanto em que digam: Olha, vai sábado para o culto e domingo para o Bar do Aquino, ou, olha, veste vestido longo para ir à Igreja, e no dia seguinte está de shortinho", eu passo a me preocupar tanto em parecer uma pessoa que possa dar testemunho, que segue as leis de Deus, que pareça uma pessoa moralmente aprovável, que isso tudo me faz sentir uma hipocritazinha de quinta. Acho que com tanta pressão SOCIAL e não espiritual, a gente acaba esquecendo de ser justo e de ter um bom caráter. É, parece que eu descobri o X da questão. Eu, apenas não quero dar satisfações, sabe, eu gostaria de dar conta sobre mim somente a DEUS. Eu acho que tenho direito de fazer isso. Apenas, algo muito genuinamente meu, acha que não está afim de parecer alguém que eu não sou. Não quero vestir saia e blusa de manga para parecer aceitável, eu até uso, quando me convém.
http://www.brasilpost.com.br/aina-cruz/teoria-das-pessoas-comple_b_7489582.html

"Haddock Lobo, 1164, apartamento 53, ano de 2015, quinta-feira, 10h30 da noite. Luz fraquinha do abajur iluminando a sala grande e "desmobiliada". Perto da janela, a congregação das teorias de mesa de bar confabulando sobre a vida de forma geral e sobre os relacionamentos.
M. diz que gosta de seu emprego em SP, que ama a cidade e suas possibilidades. Mas diz que também gostaria de viver em outro lugar, de outra forma, fazer outras coisas. Não sabe o que quer, mas acha que sabe o que não quer. Acredita que o amor existe, mas não tem nada a ver com essa coisa de novela ou de cinema. E fica triste quando nota que a maior parte dos casais que a rodeiam são infelizes e só estão juntos por comodidade.
A. está em crise, pois mudou de profissão. Por que mudou? Também não sabe, só sabe que sentia que não era aquilo que deveria fazer para o resto da vida. A. acredita que ninguém nasceu para ser uma coisa só. Acha triste que tenhamos de nos resumir dessa maneira ao escolhermos uma profissão. A. pensa que as relações amorosas foram feitas para dar errado, mas que, como existe a teoria do caos, também existe as relações duradouras e felizes. Fica triste quando nota nos bares e restaurantes casais sentados sem conversar.
D. ouve apenas. Profissionalmente e em relação a cidade sente-se bem. O que a pega um pouco nos últimos tempos é o fim de sua relação com F. Ela rompeu. Estavam morando juntos, mas ela não estava segura se era aquele o tipo de relação que queria, se ele era o homem para ela. Tinha medo que passasse a vida a conformar-se e não a apaixonar-se. Pensa na música de Chico: Lilly Brown. "Nunca mais romance, nunca, nunca mais feliz". Casar seria matar a paixão?
M., D., A. Pessoas complexas. Enquanto falavam de suas crises, teorias, possibilidades foram percebendo com felicidade e espanto o quanto eram parecidas em suas frustrações e em suas expectativas. Em seus sonhos e em seus medos. Em seus anseios e inseguranças.
As pessoas complexas raramente sabem o que querem, mas frequentemente sabem o que não querem. É um tipo de gente que não sabe comer a vida pelas bordas e já enfia a colher, com tudo, no meio da sopa. Arriscam queimar a língua, porque sabem que se queimar, passa. Ninguém morre de queimadura na língua, como ninguém morre de coração partido, de dor de cotovelo ou frustração.
As pessoas complexas não conseguem olhar para o mundo e aceitar simplesmente. Elas se questionam o tempo todo tudo. Chatas? Talvez, mas é que não conseguem existir de outro modo.
M., D. e A. estão cansadas do mundinho previsível, das pessoas tão quadradas, das possibilidades pequenas que o mundo lhes oferece. Está certo que a vida nos atende escassamente, disso já sabemos. Mas para uma pessoa complexa é a morte levar a vida a acomodar-se. Fazer as coisas porque vai ser mais confortável ou socialmente aprovado. Não se trata de rebeldia, nem de originalidade. É apenas que um coração complexo pulsa em arritmia, tem um compasso diferente, que se mistura frequentemente ao passo descompassado do mundo e da vida.
As pessoas complexas não acreditam que felicidade seja um carro do ano, um apê "um por andar" ou uma cobertura. Não acham que roupas caras te fazem mais bonita. Não acham bacana ir à balada da moda e nem fazer o que todo mundo faz.
Elas se questionam sobre os relacionamentos, sobre os casamentos. Elas querem se casar, querem se relacionar, mas tem que ser de verdade. Tem que ser com aquele alguém que as veja por dentro, que esteja ali todo corpo, todo presente, pronto para debruçar-se sobre o outro. Pronto para fazer da vida uma descoberta, uma aventura, um lugar sem ontem e sem amanhã. Não precisam de status. Não sabem se a fidelidade é a parte mais importante. Acreditam na lealdade, sobretudo.
Essa gente complexa detesta assuntos burocráticos, relações burocráticas, protocolos, regras sociais, dizer o que convém. São sinceras do fio do cabelo a ponta do dedão do pé. Não dissimulam e detestam mesquinharia.
As pessoas complexas acreditam na vida. Tem fé no amor e nas relações humanas. Elas olham o mundo e enxergam suas limitações, mas também, os seus encantos.
Não têm preconceito. São abertas ao novo. Gostam de experimentar sabores, cores, amores, formas, conteúdos, jeitos, gentes, teorias. São orgânicas. São recicláveis. São sustentáveis.
As pessoas complexas acreditam que as pessoas são o que dizem, o que pensam, o que sentem. Ninguém é o que tem. Aliás, pessoas complexas detestam assuntos como: a casa que eu comprei na praia, o meu salário de R$ 15 mil, o meu carro novo, etc.
Gostam de arte, de gente, de música, de viagens. Amam a liberdade e não sabem viver sem ela.
Respeitam o espaço do outro. Preservam a liberdade do outro. Amam as possibilidades do outro.
Não querem que as pessoas sejam como elas. São traumatizadas por uma sociedade que não as compreende e por isso não exigem do outro nada além do que ele tenha para oferecer.
Gostam de se emocionar com a vida e com o mundo. Nunca se acostumam a ver pessoas morando na rua, crianças pedindo dinheiro no semáforo. Choram com certas cenas da vida e lutam para que o mundo seja um lugar mais justo, mais acolhedor, com mais oportunidades para todos.
Fazem, todos os dias, pequenas revoluções.
Adoram conhecer lugares novos para formarem novas memórias. Conhecer gente nova, para construírem novas histórias. Contudo, carregam o passado, com seus ensinamentos e seus momentos inesquecíveis, sempre bem junto.
Se reconhecem nos lugares e adoram andar em bando. Ficam juntos falando de assuntos complexos ou de bobagens. Mas bobagens sinceras, coisas do bem. Se falam mal de algo é só da rede globo, do big brother, de certos políticos, enfim, de quem merece.
Pensam que a vida é uma só, sem ensaio e sem after. Assim, vivem cada dia como se fosse o único, como se fosse o último.
São pessoas sensíveis, que buscam extrair da vida sua essência e que querem traçar seu próprio destino. Acreditam na construção da felicidade e acreditam que essa não está na conta bancária, nem em um marido ou mulher que os espera em casa, nem em um filho, mas em cada um de nós.
Gente complexa tem alma de poeta mesmo quando nunca escreveu sequer um verso.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

"mas por hora, desejo que encontres o amor que você quer , o amor com a irreal nota da perfeição que eu não acredito ser capaz de alcançar"

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Apatia

Estive apática durante esses dias. "Apática" é uma palavra engraçada que já causou um certo aborrecimento a uma amiga, e por isso, ela ficou evidenciada pela nossa adolescência. Bem, meu filhote apresentou uma complicação no rim, e doença sempre me causa uma paralisia. O medo nos paralisa. Durante as horas em que não estava vivendo esta angústia, me refugiava no entusiasmo pelo pretenso escritório. Eu quis colocar minha energia nesse projeto, mas ele malogrou. Depois da reunião, estive analisando todos os pormenores da conversa, identificando em que momentos fora inconveniente, pensando que eu não era tão essencial ao projeto. Poxa, a gente sempre quer ser essencial. A maturidade consiste em superar esta frustração, e fora uma noite desagradável, já que a "desfrutei" com a minha companheira insegurança. Não gosto de situações que me causem isso. Agora, pensando bem, talvez não fosse uma ideia tão boa. Engoli aquela sensação ruim e nem me dei o trabalho de chorar, Artur, era minha primeira preocupação.
  No dia seguinte, ao chegar em Fortaleza, fui para casa do tio, médico, casado com minha tia. Ele examinou os resultados de Artur. A boa notícia é que um dos rins está funcionando bem. Perguntei pelo meu primo, mas ele não mora mais em casa. Está morando na Praia de Iracema. A irmã dele, mais ativa está com depressão e até tomei um susto quando a vi falar delicadamente com Artur. Ela nunca fora delicada nem parecia muito ligada em crianças.Ao contrário, parecia mesmo uma sagitariana, que de fato é, falando superficialmente, perguntando coisas simples. Honestamente, parecia que não era a que aprontava comigo desde que eu era criança. Fiquei pensando em que a transformara Naquela. Ela, muito mimada e inconsequente, não aprendeu a respeitar limites. Acho que ela percebeu da pior maneira, ou, ainda não conseguira perceber, que o mundo não é impune e tampouco, resiliente.No meio daquele apartamento da Aldeota, milimetricamente arrumado, naquela casa que mais parecia uma vitrine, perto da tia rica, do tio médico e das primas ricas, ante a todo aquele luxo, eu quis oferecer a minha riqueza, a minha alegria, a minha auto-suficiência. Por mais que queiramos encobrir, esses estereótipos existem. A forma como vemos alguém desde criança nos influencia por muito tempo. É uma distância que meu diploma em Direito não compensou. Eu continuo sendo a sobrinha pobre do interior e ela a tia rica. Mas, percebi que eu tinha ganhado uma dádiva da vida. Aprendi, por muito custo, a ter a paz que eu tenho. Claro que a noite passada me perturbou, mas quem não se perturba? O que  pensei foi, que eu tenho possibilidades e que minha vida humilde me dá felicidade. Estar em Fortaleza, dentro de shoppings, em meio a tantos carros, cobra das pessoas uma felicidade material. Em Iguatu não. Em Iguatu eu consigo ser feliz com muito pouco, com karate, sushis, almoçar na Dona Neide, andar de bicicleta, ir para o trabalho de havaiana.
 No dia seguinte, fui para o Del Paseo por insistência da minha mãe, o que aconteceu foi tão singelo quanto uma brisa perfumada, e, eu quase sou capaz de sentir o cheiro. Enquanto eu caminhava com minha mãe e com as crianças, eu vi meu primo o qual havia perguntado no dia anterior. Ele me olhou surpresa. Paramos uns minutos e conversamos. Minha mãe, interrompia a todo instante. Acho que ele fora meu primeiro amor, se é que eu sabia o que era aquilo. Uma vez, viajei com ele para Alto-Santo para visitar nossa avó paterna. Outro dia, fui com a família para Cascavel e me lembro que adorava passar a mão nos cabelos dele. Talvez, meu vênus em touro, mas, de alguma forma especial, o rosto, os olhos, o cabelo me faziam admirá-lo. Acho até que eu via um pouco a presença do meu pai nele. Quando fiquei adolescente, costumava ir a casa dele, mas ele sempre estava envolvido com a faculdade. Uma vez, até brinquei que ele me esperasse para casar com ele. Ah, eu vi que não passou de uma brincadeira e a vida seguiu e tomou os rumos. O fato é que aqueles dez minutos de conversa, em que ele me abraçou três vezes, me olhou encantado e disse que eu estava linda, talvez, pelo vestido longo,
me fez esquecer das angústias passadas. Lembrei de Clarice em um de seus contos quando um garoto joga confetes nela. Me senti uma rosa, naquele momento. E quis ser juíza para fazer parte do mundo dele. Mesmo que não se realize, como todas as ilusões que tive com ele desde criança, ainda sinto o cheiro da brisa.