domingo, 31 de julho de 2016
Não compensa
Ontem estava na casa de uma amiga e a irmã chegou com um temaki de camarão. Há uns meses parei de comer camarão, porco dentre outras coisas. Obediência é um exercício diário. Não é uma questão de : " A sua Igreja diz que não pode comer", na verdade, A Bíblia diz que não pode comer e acho que já acabou o tempo de eu QUERER desobedecer. Tudo bem, eu também não deveria tomar refrigerante porque meu corpo é o templo do Espírito e eu devo zelar por ele, mas, estou tentando e sei que quando eu conseguir me livrar desse vício, muitas coisas boas virão. O fato é que, enquanto a menina comia, eu pedi uma ponta que não tivesse camarão e a irmã dela me disse: "tem o gosto, é pecado" em um tom de deboche. Respondi que o que vale é a consciência, a resposta simplesmente saiu e ela fez que não ouviu. Isso me incomodou a noite inteira.Ele nem me repreendeu por eu ter bebido wisky na formatura dela. É engraçado, isso. Parece que as pessoas se incomodam mais quando eu faço uma coisa certa do que quando eu faço uma errada. Pior, é quem nem compensa discutir.
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Não jogue pérolas aos porcos.
A melhor coisa que já dei a alguém foi desprezo. Não é raiva, apenas distância. As pessoas nos respeitam mais assim, a certa distância. Comprei um colchão novo. Gosto de colchões de casal, mas, por muitos motivos, decidi comprar um de solteiro e quase não me acordei hoje. Estava cansada de rede. Meu corpo queria esticar-se com tudo o que podia e, apesar dos problemas que não me esquecem (porque, tento esquecê-los), dormi muito. Hoje comprei uma tinta amarelo vanila para terminar de pintar a casa. Gosto da combinação azul e amarelo. Bem, acabei de ver uma foto de um fulano que poderia me magoar. Não me magoou, ele tirou rapidinho como se aquilo fosse me incomodar. Então, meu eu, totalmente eu diz: Despreze este também.Carinho demais, atenção demais, pode ser desperdício. Sufoque a dor quando ela vier. "Não jogue pérolas aos porcos", guarde-as para quem merece.
PS: Qualquer lugar serve quando vc não sabe onde quer ir (ou o que quer ser)
Encontrei um texto muito bom sobre o assunto. Segue link
http://www.contioutra.com/nao-fico-mais-com-raiva-so-olho-penso-e-me-afasto/
PS: Qualquer lugar serve quando vc não sabe onde quer ir (ou o que quer ser)
Encontrei um texto muito bom sobre o assunto. Segue link
http://www.contioutra.com/nao-fico-mais-com-raiva-so-olho-penso-e-me-afasto/
terça-feira, 26 de julho de 2016
Obedecer e confessar.
Estou devendo esse texto desde sábado. Meu compromisso de adoração a Deus de todos os sábados é, também, escrever. Acredito que Davi tivesse essa mesma ânsia de escrever que eu tenho, porque, sempre que começo, lembro-me dele. Incrível, mas Marina também tem essa facilidade. Maria Clara Mandou um desenho para ela pintar. Ela pintou, mas não sentiu-se satisfeita, enviou uma historinha escrita por ela. Preferi guardar a lembrança apesar dos erros de ortografia. Aqueles erros me doeram na alma. É como se os erros ortográficos da Marina fossem prova da minha falha. Mas, pensei e decidi que vou usá-lo para fazer uma limonada. Acontece que eu estava assistindo a Novo Tempo e uma professora falou sobre um método "medieval" de fazer as crianças repetirem vinte vezes a palavra que erraram. A professora fazia isso com vinte crianças, então, posso fazer isso com uma só. Aí, veio Luiz Neto falando sobre educação conservadora, então misturei com alguns aspectos bíblicos em um bolo só. Eis, uma nova teoria. Lembra da história do amor inteligente?
Crianças precisam aprender fortemente duas coisas, e ao meu ver, são duas grandes virtudes para o cristão e para o ser humano, em geral. Entendo que são fundamentais, porque, delas, outras se desenvolvem. A primeira é a obediência. E não é uma obediência como nós, brasileiros, aprendemos: Aquela com jeitinho brasileiro. Obediência é OBEDIÊNCIA. Cumprir sem relativismos. Como advogada, percebo que nós relativisamos tanto as nossas leis, que o "pobre" do STF precisa viver emitindo súmulas para explicar isso e aquilo. Bem , o primeiro pecado de Adão e Eva foi justamente por desobediência. E pecado quer dizer, justamente, transgredir a Lei. Segundo ponto: confessar. Só se pode confessar quando se tem caráter suficiente para assumir seus erros. A velha orientação de minha mãe foi-me útil: Se errar, eu posso até perdoar, mas se negar, apanha pelo erro e pela mentira. Lembrei de um rapaz que, apesar de ter namorada, ficou me cercando e não foi homem suficiente para assumir o que fez. Acho isso desprezível.
Dos dois princípios, o que foi mais difícil para mim, foi obedecer. Eu sempre obedeci porque eu quis, e o que eu não queria, não obedecia e ponto. Mas, assumia. Assim, sempre pequei, mas nunca fui hipócrita. Faltava, então o arrependimento.
Lendo um texto de uma amiga, onde ela falava em si pertencer, percebi outra coisa: o que eu sou e o que eu quero ser. Bem, um dia, decidi que queria ser mãe porque acho o trabalho de educar uma criança uma função incrível. Sou. Decidi que queria me formar em Direito porque eu quero ser juíza.
Me formei. Sou apaixonada por karatê. Decidi que queria ser karateca e para isso, faço os esforços necessários. Então, para tudo o que eu quero ser, isso me exige um tipo de esforço. E percebi que eu quero ser adventista e que isso também irá me cobrar certos esforços. O primeiro deles é a obediência. Então, agora, sabendo o que eu quero ser : mãe, juíza, karateca e adventista, já posso pagar o preço por estas coisas, porque, se eu não estudar, não serei juíza, se eu não educar os meus filhos, não serei mãe (pelo menos, sob o ponto de vista que eu entendo ser a função de uma mãe), se eu não praticar o karate e seus fundamentos, não serei karateca, e se eu não cumprir com a verdade que eu conheço, não serei adventista. "Nunca é alto o preço para pertencer a si mesmo". Eu entendo "pertencer a si mesmo" como sendo aquilo que eu quero ser. O preço que eu vou pagar é para ser o que eu quero ser e não o que os outros querem ou o que as minhas limitações me permitam.Todo dia é dia de pagar o preço.
Crianças precisam aprender fortemente duas coisas, e ao meu ver, são duas grandes virtudes para o cristão e para o ser humano, em geral. Entendo que são fundamentais, porque, delas, outras se desenvolvem. A primeira é a obediência. E não é uma obediência como nós, brasileiros, aprendemos: Aquela com jeitinho brasileiro. Obediência é OBEDIÊNCIA. Cumprir sem relativismos. Como advogada, percebo que nós relativisamos tanto as nossas leis, que o "pobre" do STF precisa viver emitindo súmulas para explicar isso e aquilo. Bem , o primeiro pecado de Adão e Eva foi justamente por desobediência. E pecado quer dizer, justamente, transgredir a Lei. Segundo ponto: confessar. Só se pode confessar quando se tem caráter suficiente para assumir seus erros. A velha orientação de minha mãe foi-me útil: Se errar, eu posso até perdoar, mas se negar, apanha pelo erro e pela mentira. Lembrei de um rapaz que, apesar de ter namorada, ficou me cercando e não foi homem suficiente para assumir o que fez. Acho isso desprezível.
Dos dois princípios, o que foi mais difícil para mim, foi obedecer. Eu sempre obedeci porque eu quis, e o que eu não queria, não obedecia e ponto. Mas, assumia. Assim, sempre pequei, mas nunca fui hipócrita. Faltava, então o arrependimento.
Lendo um texto de uma amiga, onde ela falava em si pertencer, percebi outra coisa: o que eu sou e o que eu quero ser. Bem, um dia, decidi que queria ser mãe porque acho o trabalho de educar uma criança uma função incrível. Sou. Decidi que queria me formar em Direito porque eu quero ser juíza.
Me formei. Sou apaixonada por karatê. Decidi que queria ser karateca e para isso, faço os esforços necessários. Então, para tudo o que eu quero ser, isso me exige um tipo de esforço. E percebi que eu quero ser adventista e que isso também irá me cobrar certos esforços. O primeiro deles é a obediência. Então, agora, sabendo o que eu quero ser : mãe, juíza, karateca e adventista, já posso pagar o preço por estas coisas, porque, se eu não estudar, não serei juíza, se eu não educar os meus filhos, não serei mãe (pelo menos, sob o ponto de vista que eu entendo ser a função de uma mãe), se eu não praticar o karate e seus fundamentos, não serei karateca, e se eu não cumprir com a verdade que eu conheço, não serei adventista. "Nunca é alto o preço para pertencer a si mesmo". Eu entendo "pertencer a si mesmo" como sendo aquilo que eu quero ser. O preço que eu vou pagar é para ser o que eu quero ser e não o que os outros querem ou o que as minhas limitações me permitam.Todo dia é dia de pagar o preço.
domingo, 17 de julho de 2016
Sábado e o amor inteligente
Acordei. Ah, se fosse quase nove, hoje não daria para ir
para a Escola Sabatina. O que importa o que pensem. Eu não me importo com a
opinião de ninguém quando quero fazer algo errado, porque hei de me importar
para fazer algo certo? Também pensei: puxa, Dálleth, você não precisa trabalhar
sábado, sua Igreja fica a dois quarteirões de casa. Deus vai te cobrar isso.
Voei para casa, vesti o vestido de quarenta reais super comportado e super confortável que vesti
durante a semana inteira e decidi estrear o scarpin novo da Dakota que ainda
estava dentro de saquinhos. O scarpin super desejado era o calçado certo para ser estreado
em um culto. Lembrei-me de Maíza Ribeiro falando sobre os sábados, em que ela ía
com a roupa mais bonita para a Igreja, e que ela tinha 'as roupas de sábado". Eu quero que
minha filha tenha “As roupas de Sábado”, e eu já estou separando também essas
roupas para mim. Saí ainda de cabelo
molhado. Não estava uma crente cafona. Estava uma crente elegante. Tenho uma
amiga que me provou que usar saia e blusa de manga é um estilo elegante. Ela ía
assim para os cultos. Ela me mostrou que
andar bem coberta não é sinal de velhice, mas sim de finese, de classe, de
educação e de polidez. E hoje, mesmo quando eu não vou para o culto, me visto
assim e é assim que gosto que minha filha se vista. Um projetinho de Dálleth,
mas melhorada. Nos últimos cultos que
frequentara, me aborreci cedo, mas hoje não. Na noite anterior, antes de
dormir, eu não só sonhei com os projetos que queria realizar, mas pedi-os a
Deus, e na hora do culto, foi como se Deus me dissesse: “Pronto, isso aqui é o
que você precisa fazer”. Ah, Senhor, entendi. Eu sabia que estava faltando alguma
coisa para ser feita por mim -logo, quando tudo se realizar- contarei. Na noite anterior, acabei chorando no divã do
Deus. É assim, quando você começa a orar e acaba chorando, sem saber direito o
porquê.
Acabou a historinha do “Eu posso tudo”. A vida me mostrou,
amargamente, que eu posso poucas coisas. Por esta razão, eu digo aos meus
filhos as coisas que eles não podem fazer. Criar um filho de forma
indisciplinada é uma atitude muito cruel para com os filhos. Digamos que seja
um tipo de amor burro. Disciplinar é um amor inteligente.
No fim de semana em que eu fui para Morada Nova, Marina me
perguntou quando eu comecei a educá-la. Marina tem "umas perguntas". Ela tem consciência de que algumas atitudes minhas não
são falta de amor, mas sim de um sistema racional de lidar com eles. Eu
respondi que eu comecei desde que ela era bebê. É verdade, com um ano e meio,
quando eu a chamava, contava até três. Eu nunca precisei espancá-la e bati
muito pouco. Para falar a verdade, eu bati muito mais por descontrole do que
por ineficácia dos métodos.
Mesmo Artur, que é mais mimado (Não por mim), me surpreende.
No culto, ele saiu da salinha das crianças. Eu o vi passar pelos arredores do
templo. Quando ele percebeu que eu levantara, correu de volta para o lugar em
que o deixei. Pouco depois, saiu novamente. Eu não precisei dizer nada.
Peguei-o pelo braço, sentei-o no banco ao meu lado, e apesar de deitar e rolar
no banco, não se atreveu a dizer nada. A forma como os pais observavam aquilo,
me mostrou que eles estavam surpresos com o comportamento deles, já que, com
minha mãe, é um pouco diferente. Marina sequer saiu da salinha. Ela é “sage”.
Quando a olhava de longe, sentia orgulho em vê-la bem
arrumada. Ela estreou um sapato novo também, além de um vestido que mandara
fazer. Foi ainda com um laço vermelho enorme no alto da cabeça que iniciava uma
trança fake. Eu olhava e pensava, é esse o estilo de vida que quero que ela
tenha. Um estilo de vida que eu não aceitei, mas que eu sei que teria sido o
melhor. Educação é como nome, é escolha de seus pais, mas aquele que você
gostaria de ter, você só poderá dar aos seus filhos, nunca a si.
sexta-feira, 24 de junho de 2016
A verdade
Durante o fim de semana, ajudei um rapaz com uma matéria sobre Direito Romano. Na oportunidade, lembrei-me de um filme "O Clube do Imperador". É incrível como as nossas experiências nos fazem, cada vez em que assistimos a um filme pela segunda, terceira ou quarta vez, perceber novos detalhes. Das primeiras vezes, senti que o filme era bom, só que agora, entendi uma parte da "moral da história". Uma parte, porque sei que da próxima vez, entenderei algo novo ou diferente. A melhor coisa que ouvi do roteiro, foi uma lição, de um dos filósofos clássicos em que diz que as virtudes são ensinadas e não natas. Assistindo um dos vídeos do Olavo de Carvalho "Verdade de Fato", ele fala que as experiências das pessoas prestes a morreres são de que deveriam ter vivido com mais verdade. Bem, ninguém precisou me ensinar isso, mas, não sei se o que eu entendo sobre caráter, não sei se meu sol em áries, e não sei se minha ideia de religião, me fizeram entender muito cedo que era isso o que eu queria. Minha mãe me dizia que se eu fizesse um mal feito, contasse. Ela me perdoaria pelo erro, mas, se eu mentisse, apanharia duas vezes: pelo erro e pela mentira. Essa postura materna me proporcionou uma certa autenticidade. Não só isso. O fato de ela ser muito libertária, me deu apoio para esse tipo de comportamento. Ainda acho que a minha natureza me traz
essa essência, muito mais que ter aprendido essa virtude. É lamentável, às vezes, quando sei que Marina andou mentindo. Isso me faz me lembrar a fraqueza moral do pai dela. Ela tem um certo jeitinho de manipular os fatos. Isso me incomoda e, da última vez em que estive com ela, fui bem clara quanto a isso. Pensei em colar papeizinhos dizendo: "Não pode mentir" ou "Mentir é feio". Ainda não descartei a ideia. Uma vez, me pediram determinada coisa e respondi que não, me justificando em seguida. Disseram que eu estava dando desculpas e fui enfática : "Sou a favor da autonomia da MINHA vontade, portanto, não preciso mentir se eu apenas não quiser fazer algo. Às vezes, minto. Na verdade, tento analisar o custo benefício daquela verdade, mas em geral, bato o pé e pronto. Eu aprendi que você consegue muitas coisas verdadeiras na vida quando se é verdadeiro com a vida. Por poucas que sejam, são verdadeiramente suas. Lembrei-me de quando a minha ex-sogra (que infelizmente, civilmente, nunca será realmente ex), dizia a meu ex-cunhado (a mesma coisa) para não se casar na Igreja, porque na Igreja a pessoa não se divorcia. Nesse contexto, a união estável já era reconhecida civilmente para todos os efeitos de pensão, divisão de bens, etc. Então eu pensei, puxa, se a gente não engana mais o Direito, a gente também não engana Deus. É como se casar só no civil, ou não casar, fosse suficiente para enganar a Inteligência Divina. A Bíblia diz que o Diabo é enganador e Pai da Mentira. Junte tudo e ... Pois é. Outro vídeo em que um filósofo cristão falava para alunos de uma universidade, esclarecia que a quinta prova da existência de Deus era a experiência com Ele. E, em outro vídeo do Olavo, ele menciona que DEUS está muito além da Doutrina, ele quase diz que a Doutrina cega a fé verdadeira. Isso fica bem claro em uma outra postagem que fala sobre a minha experiência claustrofóbica ao ir para o Templo. E por fim, a Bíblia diz: Conhecerei a verdade e a verdade vos libertará. É isto. A verdade é Deus para a religião, a Verdade é virtude para os filósofos, e a verdade é um modo de vida. A verdade também é um sustentáculo para a autonomia da sua vontade. Acho que descobri mais uma lei materna para os meus filhos. Talvez, eu não tenha aprendido da melhor forma possível, mas aprendi.
essa essência, muito mais que ter aprendido essa virtude. É lamentável, às vezes, quando sei que Marina andou mentindo. Isso me faz me lembrar a fraqueza moral do pai dela. Ela tem um certo jeitinho de manipular os fatos. Isso me incomoda e, da última vez em que estive com ela, fui bem clara quanto a isso. Pensei em colar papeizinhos dizendo: "Não pode mentir" ou "Mentir é feio". Ainda não descartei a ideia. Uma vez, me pediram determinada coisa e respondi que não, me justificando em seguida. Disseram que eu estava dando desculpas e fui enfática : "Sou a favor da autonomia da MINHA vontade, portanto, não preciso mentir se eu apenas não quiser fazer algo. Às vezes, minto. Na verdade, tento analisar o custo benefício daquela verdade, mas em geral, bato o pé e pronto. Eu aprendi que você consegue muitas coisas verdadeiras na vida quando se é verdadeiro com a vida. Por poucas que sejam, são verdadeiramente suas. Lembrei-me de quando a minha ex-sogra (que infelizmente, civilmente, nunca será realmente ex), dizia a meu ex-cunhado (a mesma coisa) para não se casar na Igreja, porque na Igreja a pessoa não se divorcia. Nesse contexto, a união estável já era reconhecida civilmente para todos os efeitos de pensão, divisão de bens, etc. Então eu pensei, puxa, se a gente não engana mais o Direito, a gente também não engana Deus. É como se casar só no civil, ou não casar, fosse suficiente para enganar a Inteligência Divina. A Bíblia diz que o Diabo é enganador e Pai da Mentira. Junte tudo e ... Pois é. Outro vídeo em que um filósofo cristão falava para alunos de uma universidade, esclarecia que a quinta prova da existência de Deus era a experiência com Ele. E, em outro vídeo do Olavo, ele menciona que DEUS está muito além da Doutrina, ele quase diz que a Doutrina cega a fé verdadeira. Isso fica bem claro em uma outra postagem que fala sobre a minha experiência claustrofóbica ao ir para o Templo. E por fim, a Bíblia diz: Conhecerei a verdade e a verdade vos libertará. É isto. A verdade é Deus para a religião, a Verdade é virtude para os filósofos, e a verdade é um modo de vida. A verdade também é um sustentáculo para a autonomia da sua vontade. Acho que descobri mais uma lei materna para os meus filhos. Talvez, eu não tenha aprendido da melhor forma possível, mas aprendi.
domingo, 5 de junho de 2016
Igreja
Vi uma postagem hoje que me incomodou. Falava sobre a menina que foi estuprada por trinta e três homens. Eu quis comentar na publicação, mas preferi falar in box. Na justificativa, o autor da postagem me disse que "Quem procura, acha". Perguntei para ele o que ele pensaria se o fato de eu andar com roupa curta fizesse que alguém pensasse o mesmo sobre mim. Ele respondeu que não era a mesma coisa. O pior é que, nas aulas de Medicina Legal na Faculdade, um dos alunos que é escrivão da Polícia, tentou defender a tese de que a vítima pode provocar o crime. Eu, que ia com shortes curtos, me indignei. A questão é que, por causa do meu físico, qualquer roupa parece provocante. Mas, afinal, não é sobre isso que estamos falando. Não importa se eu quero sair com roupa provocante. E daí? Isso não dá direito a ninguém de invadir a minha zona de privacidade, a minha dignidade. Lembrei -me de um rapaz que falou que se ele percebesse durante o ato que a garota não estava afim, ele parava. Eu não entendi na hora, e eu tinha até o hábito de terminar mesmo com dor, mas ele me explicou que aquilo era estupro e que eu não deveria aceitar. Eu parei para pensar. Nem eu estava respeitando os meus limites, poxa. Eu aceitava fazer uma coisa que de fato eu não estava querendo, e eu percebi, que nós mulheres somos ensinadas, de uma maneira ou de outra, que nós DEVEMOS satisfazer um homem. Acho que eu fiquei mais estarrecida por ter me dado conta tão tardiamente do meu comportamento absolutamente irracional. Ele ganhou a minha admiração. "Nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo."
Sim, eu sei, ele era o maior ateu de todos os tempos, mas eu ainda acho que ele tinha razão.
Bom, falei para o rapaz sobre um provérbio que diz :"Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados.
Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados".
Sim, eu sei, ele era o maior ateu de todos os tempos, mas eu ainda acho que ele tinha razão.
Bom, falei para o rapaz sobre um provérbio que diz :"Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados.
Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados".
Ele, membro do ECC, tendo uma conduta tão anti cristã. Me perdoem a virgenzinhas do ECC, eu admiro a virgindade, admiro mesmo, mas eu conheço algumas pessoas de grupos como ECC e Shalom, que por favor, se revestem de imagem e hipocrisia.
Me deu um click. Não é que eu não goste de ir ao culto. Eu realmente gosto, mas eu me preocupo tanto em que digam: Olha, vai sábado para o culto e domingo para o Bar do Aquino, ou, olha, veste vestido longo para ir à Igreja, e no dia seguinte está de shortinho", eu passo a me preocupar tanto em parecer uma pessoa que possa dar testemunho, que segue as leis de Deus, que pareça uma pessoa moralmente aprovável, que isso tudo me faz sentir uma hipocritazinha de quinta. Acho que com tanta pressão SOCIAL e não espiritual, a gente acaba esquecendo de ser justo e de ter um bom caráter. É, parece que eu descobri o X da questão. Eu, apenas não quero dar satisfações, sabe, eu gostaria de dar conta sobre mim somente a DEUS. Eu acho que tenho direito de fazer isso. Apenas, algo muito genuinamente meu, acha que não está afim de parecer alguém que eu não sou. Não quero vestir saia e blusa de manga para parecer aceitável, eu até uso, quando me convém.
http://www.brasilpost.com.br/aina-cruz/teoria-das-pessoas-comple_b_7489582.html
"Haddock Lobo, 1164, apartamento 53, ano de 2015, quinta-feira, 10h30 da noite. Luz fraquinha do abajur iluminando a sala grande e "desmobiliada". Perto da janela, a congregação das teorias de mesa de bar confabulando sobre a vida de forma geral e sobre os relacionamentos.
"Haddock Lobo, 1164, apartamento 53, ano de 2015, quinta-feira, 10h30 da noite. Luz fraquinha do abajur iluminando a sala grande e "desmobiliada". Perto da janela, a congregação das teorias de mesa de bar confabulando sobre a vida de forma geral e sobre os relacionamentos.
M. diz que gosta de seu emprego em SP, que ama a cidade e suas possibilidades. Mas diz que também gostaria de viver em outro lugar, de outra forma, fazer outras coisas. Não sabe o que quer, mas acha que sabe o que não quer. Acredita que o amor existe, mas não tem nada a ver com essa coisa de novela ou de cinema. E fica triste quando nota que a maior parte dos casais que a rodeiam são infelizes e só estão juntos por comodidade.
A. está em crise, pois mudou de profissão. Por que mudou? Também não sabe, só sabe que sentia que não era aquilo que deveria fazer para o resto da vida. A. acredita que ninguém nasceu para ser uma coisa só. Acha triste que tenhamos de nos resumir dessa maneira ao escolhermos uma profissão. A. pensa que as relações amorosas foram feitas para dar errado, mas que, como existe a teoria do caos, também existe as relações duradouras e felizes. Fica triste quando nota nos bares e restaurantes casais sentados sem conversar.
D. ouve apenas. Profissionalmente e em relação a cidade sente-se bem. O que a pega um pouco nos últimos tempos é o fim de sua relação com F. Ela rompeu. Estavam morando juntos, mas ela não estava segura se era aquele o tipo de relação que queria, se ele era o homem para ela. Tinha medo que passasse a vida a conformar-se e não a apaixonar-se. Pensa na música de Chico: Lilly Brown. "Nunca mais romance, nunca, nunca mais feliz". Casar seria matar a paixão?
M., D., A. Pessoas complexas. Enquanto falavam de suas crises, teorias, possibilidades foram percebendo com felicidade e espanto o quanto eram parecidas em suas frustrações e em suas expectativas. Em seus sonhos e em seus medos. Em seus anseios e inseguranças.
As pessoas complexas raramente sabem o que querem, mas frequentemente sabem o que não querem. É um tipo de gente que não sabe comer a vida pelas bordas e já enfia a colher, com tudo, no meio da sopa. Arriscam queimar a língua, porque sabem que se queimar, passa. Ninguém morre de queimadura na língua, como ninguém morre de coração partido, de dor de cotovelo ou frustração.
As pessoas complexas não conseguem olhar para o mundo e aceitar simplesmente. Elas se questionam o tempo todo tudo. Chatas? Talvez, mas é que não conseguem existir de outro modo.
M., D. e A. estão cansadas do mundinho previsível, das pessoas tão quadradas, das possibilidades pequenas que o mundo lhes oferece. Está certo que a vida nos atende escassamente, disso já sabemos. Mas para uma pessoa complexa é a morte levar a vida a acomodar-se. Fazer as coisas porque vai ser mais confortável ou socialmente aprovado. Não se trata de rebeldia, nem de originalidade. É apenas que um coração complexo pulsa em arritmia, tem um compasso diferente, que se mistura frequentemente ao passo descompassado do mundo e da vida.
As pessoas complexas não acreditam que felicidade seja um carro do ano, um apê "um por andar" ou uma cobertura. Não acham que roupas caras te fazem mais bonita. Não acham bacana ir à balada da moda e nem fazer o que todo mundo faz.
Elas se questionam sobre os relacionamentos, sobre os casamentos. Elas querem se casar, querem se relacionar, mas tem que ser de verdade. Tem que ser com aquele alguém que as veja por dentro, que esteja ali todo corpo, todo presente, pronto para debruçar-se sobre o outro. Pronto para fazer da vida uma descoberta, uma aventura, um lugar sem ontem e sem amanhã. Não precisam de status. Não sabem se a fidelidade é a parte mais importante. Acreditam na lealdade, sobretudo.
Essa gente complexa detesta assuntos burocráticos, relações burocráticas, protocolos, regras sociais, dizer o que convém. São sinceras do fio do cabelo a ponta do dedão do pé. Não dissimulam e detestam mesquinharia.
As pessoas complexas acreditam na vida. Tem fé no amor e nas relações humanas. Elas olham o mundo e enxergam suas limitações, mas também, os seus encantos.
Não têm preconceito. São abertas ao novo. Gostam de experimentar sabores, cores, amores, formas, conteúdos, jeitos, gentes, teorias. São orgânicas. São recicláveis. São sustentáveis.
As pessoas complexas acreditam que as pessoas são o que dizem, o que pensam, o que sentem. Ninguém é o que tem. Aliás, pessoas complexas detestam assuntos como: a casa que eu comprei na praia, o meu salário de R$ 15 mil, o meu carro novo, etc.
Gostam de arte, de gente, de música, de viagens. Amam a liberdade e não sabem viver sem ela.
Respeitam o espaço do outro. Preservam a liberdade do outro. Amam as possibilidades do outro.
Não querem que as pessoas sejam como elas. São traumatizadas por uma sociedade que não as compreende e por isso não exigem do outro nada além do que ele tenha para oferecer.
Respeitam o espaço do outro. Preservam a liberdade do outro. Amam as possibilidades do outro.
Não querem que as pessoas sejam como elas. São traumatizadas por uma sociedade que não as compreende e por isso não exigem do outro nada além do que ele tenha para oferecer.
Gostam de se emocionar com a vida e com o mundo. Nunca se acostumam a ver pessoas morando na rua, crianças pedindo dinheiro no semáforo. Choram com certas cenas da vida e lutam para que o mundo seja um lugar mais justo, mais acolhedor, com mais oportunidades para todos.
Fazem, todos os dias, pequenas revoluções.
Fazem, todos os dias, pequenas revoluções.
Adoram conhecer lugares novos para formarem novas memórias. Conhecer gente nova, para construírem novas histórias. Contudo, carregam o passado, com seus ensinamentos e seus momentos inesquecíveis, sempre bem junto.
Se reconhecem nos lugares e adoram andar em bando. Ficam juntos falando de assuntos complexos ou de bobagens. Mas bobagens sinceras, coisas do bem. Se falam mal de algo é só da rede globo, do big brother, de certos políticos, enfim, de quem merece.
Pensam que a vida é uma só, sem ensaio e sem after. Assim, vivem cada dia como se fosse o único, como se fosse o último.
São pessoas sensíveis, que buscam extrair da vida sua essência e que querem traçar seu próprio destino. Acreditam na construção da felicidade e acreditam que essa não está na conta bancária, nem em um marido ou mulher que os espera em casa, nem em um filho, mas em cada um de nós.
Gente complexa tem alma de poeta mesmo quando nunca escreveu sequer um verso.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Apatia
Estive apática durante esses dias. "Apática" é uma palavra engraçada que já causou um certo aborrecimento a uma amiga, e por isso, ela ficou evidenciada pela nossa adolescência. Bem, meu filhote apresentou uma complicação no rim, e doença sempre me causa uma paralisia. O medo nos paralisa. Durante as horas em que não estava vivendo esta angústia, me refugiava no entusiasmo pelo pretenso escritório. Eu quis colocar minha energia nesse projeto, mas ele malogrou. Depois da reunião, estive analisando todos os pormenores da conversa, identificando em que momentos fora inconveniente, pensando que eu não era tão essencial ao projeto. Poxa, a gente sempre quer ser essencial. A maturidade consiste em superar esta frustração, e fora uma noite desagradável, já que a "desfrutei" com a minha companheira insegurança. Não gosto de situações que me causem isso. Agora, pensando bem, talvez não fosse uma ideia tão boa. Engoli aquela sensação ruim e nem me dei o trabalho de chorar, Artur, era minha primeira preocupação.
No dia seguinte, ao chegar em Fortaleza, fui para casa do tio, médico, casado com minha tia. Ele examinou os resultados de Artur. A boa notícia é que um dos rins está funcionando bem. Perguntei pelo meu primo, mas ele não mora mais em casa. Está morando na Praia de Iracema. A irmã dele, mais ativa está com depressão e até tomei um susto quando a vi falar delicadamente com Artur. Ela nunca fora delicada nem parecia muito ligada em crianças.Ao contrário, parecia mesmo uma sagitariana, que de fato é, falando superficialmente, perguntando coisas simples. Honestamente, parecia que não era a que aprontava comigo desde que eu era criança. Fiquei pensando em que a transformara Naquela. Ela, muito mimada e inconsequente, não aprendeu a respeitar limites. Acho que ela percebeu da pior maneira, ou, ainda não conseguira perceber, que o mundo não é impune e tampouco, resiliente.No meio daquele apartamento da Aldeota, milimetricamente arrumado, naquela casa que mais parecia uma vitrine, perto da tia rica, do tio médico e das primas ricas, ante a todo aquele luxo, eu quis oferecer a minha riqueza, a minha alegria, a minha auto-suficiência. Por mais que queiramos encobrir, esses estereótipos existem. A forma como vemos alguém desde criança nos influencia por muito tempo. É uma distância que meu diploma em Direito não compensou. Eu continuo sendo a sobrinha pobre do interior e ela a tia rica. Mas, percebi que eu tinha ganhado uma dádiva da vida. Aprendi, por muito custo, a ter a paz que eu tenho. Claro que a noite passada me perturbou, mas quem não se perturba? O que pensei foi, que eu tenho possibilidades e que minha vida humilde me dá felicidade. Estar em Fortaleza, dentro de shoppings, em meio a tantos carros, cobra das pessoas uma felicidade material. Em Iguatu não. Em Iguatu eu consigo ser feliz com muito pouco, com karate, sushis, almoçar na Dona Neide, andar de bicicleta, ir para o trabalho de havaiana.
No dia seguinte, fui para o Del Paseo por insistência da minha mãe, o que aconteceu foi tão singelo quanto uma brisa perfumada, e, eu quase sou capaz de sentir o cheiro. Enquanto eu caminhava com minha mãe e com as crianças, eu vi meu primo o qual havia perguntado no dia anterior. Ele me olhou surpresa. Paramos uns minutos e conversamos. Minha mãe, interrompia a todo instante. Acho que ele fora meu primeiro amor, se é que eu sabia o que era aquilo. Uma vez, viajei com ele para Alto-Santo para visitar nossa avó paterna. Outro dia, fui com a família para Cascavel e me lembro que adorava passar a mão nos cabelos dele. Talvez, meu vênus em touro, mas, de alguma forma especial, o rosto, os olhos, o cabelo me faziam admirá-lo. Acho até que eu via um pouco a presença do meu pai nele. Quando fiquei adolescente, costumava ir a casa dele, mas ele sempre estava envolvido com a faculdade. Uma vez, até brinquei que ele me esperasse para casar com ele. Ah, eu vi que não passou de uma brincadeira e a vida seguiu e tomou os rumos. O fato é que aqueles dez minutos de conversa, em que ele me abraçou três vezes, me olhou encantado e disse que eu estava linda, talvez, pelo vestido longo,
me fez esquecer das angústias passadas. Lembrei de Clarice em um de seus contos quando um garoto joga confetes nela. Me senti uma rosa, naquele momento. E quis ser juíza para fazer parte do mundo dele. Mesmo que não se realize, como todas as ilusões que tive com ele desde criança, ainda sinto o cheiro da brisa.
No dia seguinte, ao chegar em Fortaleza, fui para casa do tio, médico, casado com minha tia. Ele examinou os resultados de Artur. A boa notícia é que um dos rins está funcionando bem. Perguntei pelo meu primo, mas ele não mora mais em casa. Está morando na Praia de Iracema. A irmã dele, mais ativa está com depressão e até tomei um susto quando a vi falar delicadamente com Artur. Ela nunca fora delicada nem parecia muito ligada em crianças.Ao contrário, parecia mesmo uma sagitariana, que de fato é, falando superficialmente, perguntando coisas simples. Honestamente, parecia que não era a que aprontava comigo desde que eu era criança. Fiquei pensando em que a transformara Naquela. Ela, muito mimada e inconsequente, não aprendeu a respeitar limites. Acho que ela percebeu da pior maneira, ou, ainda não conseguira perceber, que o mundo não é impune e tampouco, resiliente.No meio daquele apartamento da Aldeota, milimetricamente arrumado, naquela casa que mais parecia uma vitrine, perto da tia rica, do tio médico e das primas ricas, ante a todo aquele luxo, eu quis oferecer a minha riqueza, a minha alegria, a minha auto-suficiência. Por mais que queiramos encobrir, esses estereótipos existem. A forma como vemos alguém desde criança nos influencia por muito tempo. É uma distância que meu diploma em Direito não compensou. Eu continuo sendo a sobrinha pobre do interior e ela a tia rica. Mas, percebi que eu tinha ganhado uma dádiva da vida. Aprendi, por muito custo, a ter a paz que eu tenho. Claro que a noite passada me perturbou, mas quem não se perturba? O que pensei foi, que eu tenho possibilidades e que minha vida humilde me dá felicidade. Estar em Fortaleza, dentro de shoppings, em meio a tantos carros, cobra das pessoas uma felicidade material. Em Iguatu não. Em Iguatu eu consigo ser feliz com muito pouco, com karate, sushis, almoçar na Dona Neide, andar de bicicleta, ir para o trabalho de havaiana.
No dia seguinte, fui para o Del Paseo por insistência da minha mãe, o que aconteceu foi tão singelo quanto uma brisa perfumada, e, eu quase sou capaz de sentir o cheiro. Enquanto eu caminhava com minha mãe e com as crianças, eu vi meu primo o qual havia perguntado no dia anterior. Ele me olhou surpresa. Paramos uns minutos e conversamos. Minha mãe, interrompia a todo instante. Acho que ele fora meu primeiro amor, se é que eu sabia o que era aquilo. Uma vez, viajei com ele para Alto-Santo para visitar nossa avó paterna. Outro dia, fui com a família para Cascavel e me lembro que adorava passar a mão nos cabelos dele. Talvez, meu vênus em touro, mas, de alguma forma especial, o rosto, os olhos, o cabelo me faziam admirá-lo. Acho até que eu via um pouco a presença do meu pai nele. Quando fiquei adolescente, costumava ir a casa dele, mas ele sempre estava envolvido com a faculdade. Uma vez, até brinquei que ele me esperasse para casar com ele. Ah, eu vi que não passou de uma brincadeira e a vida seguiu e tomou os rumos. O fato é que aqueles dez minutos de conversa, em que ele me abraçou três vezes, me olhou encantado e disse que eu estava linda, talvez, pelo vestido longo,
me fez esquecer das angústias passadas. Lembrei de Clarice em um de seus contos quando um garoto joga confetes nela. Me senti uma rosa, naquele momento. E quis ser juíza para fazer parte do mundo dele. Mesmo que não se realize, como todas as ilusões que tive com ele desde criança, ainda sinto o cheiro da brisa.
terça-feira, 8 de março de 2016
Se eu me sinto deslocada? Ás vezes me sinto até desloucada. Tem sempre aquela pessoa com capacidade de te colocar no lugar certo e de te tirar. Aquela pessoa que quando te aceita, você se sente aceito em qualquer lugar, ou não. Eu sempre me senti deslocada e aprendi muito cedo que isto é uma percepção própria. Sei lá. Hoje haverá um aniversário, mas estou quase desistindo de ir porque estou me sentindo deslocada. Eu aprendi isso. Saia de onde não lhe faz bem. A gente, simplesmente, não precisa passar por isso. Ás vezes, também faço ou tento fazer algumas se sentirem deslocadas. Talvez eu não seja justa, mas, nem sempre eu consigo ser justa. Ser justa com os outros, ás vezes me machuca um bocado. Sou muito territorialista. Não pareço nada com essa menina de sorriso cálido da foto. Não sou tão passiva assim. Hoje, eu queria que essa festa fosse com pessoas conhecidas,em que eu não precisasse conquistar um espaço. Eu só queria ir de kimono. Quando penso em kimono, penso naquele espaço enorme. Naquele tatame em que me deito e aprecio aqueles minutos de calma e de completude. Ele também já fez parte do meu espaço. Agora parece que não faz mais, talvez, torne-se apenas um quadro, uma pintura, no meio daquele espaço todo. Daqui a pouco, eu só o perceberei como uma parte da paisagem vista e revista e impercebida. Mas, por enquanto, ele ainda tem poder para me alocar e deslocar, como quando parece trocar olhares com outra. Nessas horas, me sinto o desenho fora da paisagem e isso é ensurdecedor. Quando sinto ciúmes, escuto aquele barulho que o Michel Corleone ouve dentro do banheiro.
sexta-feira, 4 de março de 2016
domingo, 14 de fevereiro de 2016
A necessidade e a vontade de escrever;
Senhor promotor,
Tenho dois filhos menores com meu ex-esposo. Durante os últimos três anos, minha mãe cuidou deles para que eu concluísse a faculdade de Direito e para que fosse aprovada no exame de Ordem. No processo de divórcio, ficou acordado que meu ex-marido pagasse 272 reais de obrigação alimentar, em decorrência de estar desempregado. Em decorrência de ele atrasar sucessivamente o pagamento, precisei acionar a defensoria pública para que este valor fosse descontado da folha de pagamento e depositado em conta corrente. Além desse dinheiro mensal, ele não contribuiu com nada mais, mesmo em caso de doença, de matrícula, presentes em datas comemorativas, ou outra coisa qualquer. Ficou ainda acordado que o pai deveria buscá-los em fins de semana alternados para passarem os fins de semana com o pai. Esta obrigação nunca fora cumprida. Eu, por sua vez, costumava visitá-los a cada quinze dias e mantinha contato por telefone, inclusive com as escolas, em caso de intercorrências. Comprava-lhes roupas, estabelecia regras sociais, atentava para a educação, alimentação e todas as outras coisas que eram pertinentes.
NO final do ano passado, as crianças vieram passar o período de férias escolares e a minha tia, que disponibilizava seu tempo para cuidar deles, adoeceu de uma séria crise de cálculo na vesícula, ademais, minha mãe não viu sentido em mantê-los lá, já que os pais moram aqui. Tentei, por todos os meios, fazê-la ficar com eles por mais um ano, apesar de achar desfundada a hipótese. Durante as férias, ARtur, pedia-me que os deixasse morar aqui, incentivado pelo pai. Eu fiquei preocupada com o desenvolvimento de uma possível consequencia psicossomática no caso de voltarem para Morada Nova. Por esta razão, conversei com o pai deles, que exigiu que eu tomasse responsabilidade de mãe, que criasse um ambiente para eles na minha casa. Eu não entendi o porquê de um homem de 28 anos que tem quatro filhos com mulheres diferentes, que paga ínfimos 272 reais de pensão para dois dos filhos menores e que negligenciou as visitações durante três anos, se achar no direito de me chamar de irresponsável e imatura, mas, preferi não dar prosseguimento à discussão, e levando-se em conta ás ofensas a que estou sujeita a receber e ao meu temperamento explosivo, achei mais saudável trazer a situação ao Senhor Promotor de Justiça. Ante a minha situação financeira, expus que não tenho condições de pagar um salário a uma babá, que é o valor que a lei exige, e, ao invés de se dispor a me ajudar financeiramente, já que agora ele presta serviço na Prefeitura de Saboeiro e estagia na Justiça do Trabalho, disse-me que eu fizesse sacrifício, isentando-se ele de quaisquer responsabilidades. Passado o carnaval e esgotadas as possibilidades de minha mãe ficar com as crianças, matriculei-os em uma escola próxima à minha casa. Sabendo da matrícula, a mãe dele, que não trabalha, disse que não ficaria com os meninos no período da tarde e que este era um problmea que nós deveríamos resolver sozinhos, e salientou que a mulher dele não tem obrigação com as crianças e que eu tenho que arranjar uma empregada. Esta resposta me indignou tendo em vista que eu sou sozinha na cidade não contando com familiar ou quaisquer pessoas. Ele, entretanto, dispõe de duas casas e de diversos familiares. Lamentavelmente, as crianças gostam de estar na casa dos avós e na casa do pai, já que, nesta última, moram os filhos da madrasta que também são crianças. Clara, a filha do meio, tem idade próxima à da Marina e esta gosta de estar em sua companhia. Artur, que está em uma fase onde a presença do pai é fundamental, gosta de estar na companhia deste que disponibiliza o celular e joga com ele. Digo, lamentavelmente, porque sinto o comportamento da mãe e da madrasta como que empurrando-os de uma para outra o que me dá a impressão de serem indesejáveis em ambas as casas, e que por mais que eu lhes diga que eles não saõ bem-vindos lá, eles não compreendem e acham que eu os estou proibindo injustificadamente.
No dia seguinte, ela que disse que nós deveríamos resolver os problema sozinhos, enviou uma mocinha para a minha casa, sem entretanto, ter se disponibilizado a pagar a moça. Bem, ouvi de uma amiga que ele está mal acostumado a não assumir responsabilidades, já que, durante meus anos de casada, minha mãe arcou com a provisão da casa, além de parto e etc. O fato é que, conforme estabelece o Código Civil, e acredito que ele tenha conhecimento, já que ele é estudante de direito, a responsabilidade pelos filhos é de ambos os pais, e, estando ele e sua família a esquivar-se dos cuidados durante os meu período de trabalho,
Tenho dois filhos menores com meu ex-esposo. Durante os últimos três anos, minha mãe cuidou deles para que eu concluísse a faculdade de Direito e para que fosse aprovada no exame de Ordem. No processo de divórcio, ficou acordado que meu ex-marido pagasse 272 reais de obrigação alimentar, em decorrência de estar desempregado. Em decorrência de ele atrasar sucessivamente o pagamento, precisei acionar a defensoria pública para que este valor fosse descontado da folha de pagamento e depositado em conta corrente. Além desse dinheiro mensal, ele não contribuiu com nada mais, mesmo em caso de doença, de matrícula, presentes em datas comemorativas, ou outra coisa qualquer. Ficou ainda acordado que o pai deveria buscá-los em fins de semana alternados para passarem os fins de semana com o pai. Esta obrigação nunca fora cumprida. Eu, por sua vez, costumava visitá-los a cada quinze dias e mantinha contato por telefone, inclusive com as escolas, em caso de intercorrências. Comprava-lhes roupas, estabelecia regras sociais, atentava para a educação, alimentação e todas as outras coisas que eram pertinentes.
NO final do ano passado, as crianças vieram passar o período de férias escolares e a minha tia, que disponibilizava seu tempo para cuidar deles, adoeceu de uma séria crise de cálculo na vesícula, ademais, minha mãe não viu sentido em mantê-los lá, já que os pais moram aqui. Tentei, por todos os meios, fazê-la ficar com eles por mais um ano, apesar de achar desfundada a hipótese. Durante as férias, ARtur, pedia-me que os deixasse morar aqui, incentivado pelo pai. Eu fiquei preocupada com o desenvolvimento de uma possível consequencia psicossomática no caso de voltarem para Morada Nova. Por esta razão, conversei com o pai deles, que exigiu que eu tomasse responsabilidade de mãe, que criasse um ambiente para eles na minha casa. Eu não entendi o porquê de um homem de 28 anos que tem quatro filhos com mulheres diferentes, que paga ínfimos 272 reais de pensão para dois dos filhos menores e que negligenciou as visitações durante três anos, se achar no direito de me chamar de irresponsável e imatura, mas, preferi não dar prosseguimento à discussão, e levando-se em conta ás ofensas a que estou sujeita a receber e ao meu temperamento explosivo, achei mais saudável trazer a situação ao Senhor Promotor de Justiça. Ante a minha situação financeira, expus que não tenho condições de pagar um salário a uma babá, que é o valor que a lei exige, e, ao invés de se dispor a me ajudar financeiramente, já que agora ele presta serviço na Prefeitura de Saboeiro e estagia na Justiça do Trabalho, disse-me que eu fizesse sacrifício, isentando-se ele de quaisquer responsabilidades. Passado o carnaval e esgotadas as possibilidades de minha mãe ficar com as crianças, matriculei-os em uma escola próxima à minha casa. Sabendo da matrícula, a mãe dele, que não trabalha, disse que não ficaria com os meninos no período da tarde e que este era um problmea que nós deveríamos resolver sozinhos, e salientou que a mulher dele não tem obrigação com as crianças e que eu tenho que arranjar uma empregada. Esta resposta me indignou tendo em vista que eu sou sozinha na cidade não contando com familiar ou quaisquer pessoas. Ele, entretanto, dispõe de duas casas e de diversos familiares. Lamentavelmente, as crianças gostam de estar na casa dos avós e na casa do pai, já que, nesta última, moram os filhos da madrasta que também são crianças. Clara, a filha do meio, tem idade próxima à da Marina e esta gosta de estar em sua companhia. Artur, que está em uma fase onde a presença do pai é fundamental, gosta de estar na companhia deste que disponibiliza o celular e joga com ele. Digo, lamentavelmente, porque sinto o comportamento da mãe e da madrasta como que empurrando-os de uma para outra o que me dá a impressão de serem indesejáveis em ambas as casas, e que por mais que eu lhes diga que eles não saõ bem-vindos lá, eles não compreendem e acham que eu os estou proibindo injustificadamente.
No dia seguinte, ela que disse que nós deveríamos resolver os problema sozinhos, enviou uma mocinha para a minha casa, sem entretanto, ter se disponibilizado a pagar a moça. Bem, ouvi de uma amiga que ele está mal acostumado a não assumir responsabilidades, já que, durante meus anos de casada, minha mãe arcou com a provisão da casa, além de parto e etc. O fato é que, conforme estabelece o Código Civil, e acredito que ele tenha conhecimento, já que ele é estudante de direito, a responsabilidade pelos filhos é de ambos os pais, e, estando ele e sua família a esquivar-se dos cuidados durante os meu período de trabalho,
A responsabilidade dos pais é dever irrenunciável. Essa prerrogativa leva em conta a vulnerabilidade da criança e do adolescente, seres em desenvolvimento que merecem tratamento especial. Nesse sentido, o ordenamento jurídico brasileiro atribui aos pais certos deveres, em virtude do exercício do poder familiar.
A Constituição Federal, em seu artigo 227, atribui à família o dever de educar, bem como o dever de convivência e o respeito à dignidade dos filhos, devendo esta sempre primar pelo desenvolvimento saudável do menor. O artigo 229 da Constituição Federal, também atribui aos pais o dever de assistir, criar e educar os filhos.
Ademais, a Lei 8.069/90, Estatuto da Criança e do adolescente (ECA), evidenciam a existência de deveres intrínsecos ao poder familiar, conferindo aos pais obrigações não somente do ponto de vista material, mas especialmente afetivas, morais e psíquicas. Já o artigo 3º do ECA preceitua que toda criança e adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, a fim de lhes proporcionar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
A Lei 10.406/2002, o atual Código Civil brasileiro (CCB), em seu artigo 1.634, impõe entre os deveres conjugais, o de sustento, criação, guarda, companhia e educação dos filhos (1.566, IV). Já os artigos 1.583 a 1.590, do mesmo diploma, preceituam sobre a proteção dos filhos em caso de rompimento da sociedade conjugal.
, venho, em nome das crianças, que neste caso, encontram-se em situação de risco, apelar para o Ministério Público, pois, preciso de uma postura dele como co-responsável, já que ele nunca assumiu uma postura real de provedor. Portanto, peço o aumento do valor da pensão para que eu possa arcar com a despesa da babá, escola, material escolar, fardamento, alimentação e o que mais seja necessário, me disponibilizando, claro, a arcar com a metade de tudo. Entendo que, estabelecer uma pensão de 300 reais, seja insuficiente, inclusive, porque, quem precisa cobrir as demais despesas serei eu, e, não preciso mencionar que o gasto é muitíssimo superior a este. Entendo, inclusive, que não sendo possível que ele arque com as despesas, estenda-se a responsabilidade de alimentos aos avós por meio de Ação de alimentos avoengos, caso, claro, ninguém da família esteja disponível a acompanhar as crianças durante o período da tarde, Tenho absoluta ideia da minha responsabilidade e tenho da dele também, portanto, não o isento dela.
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