segunda-feira, 8 de abril de 2013

Penso, logo existo... Penso, logo sofro!!!!!

E de tempos em tempos a gente vai descobrindo o mundo e se descobrindo... E lendo e conversando e vivendo a gente vai descobrindo e reinventando o nosso mundo.... Descobri que eu gosto de violar, falar o que ninguem diz, invadir o que não se pode pensar, e de pouco em pouco e de muito me machucar percebo que o mundo não é tão belo e é sempre muito burocrático. Uma vez, um advogado, não tão meu amigo me disse que deixou de ser petista porque o partido se burocratizou... Na verdade, nós todos nos burocratizamos... Crescer é tornar-se hipócrita, e parece que quanto mais parecemos maduros e socialmente respeitáveis, mais hipócritas, demagogos e senso comum somos.
 Odeio essa expressão: senso comum, mas adoro u´sá-la para me referir a pessoas que não são autênticas.
A cidade em que eu moro é muito vazia. Ela é muito dinâmica, mas sua dinâmica é vazia. Vazia de sentimentos, de ideais, de bondade. As pessoas só conseguem falar sobre direito e superfluidades. Esse Direito que vos falo também é uma superfluidade porque ele não atinge as pessoas de modo humano. O Direito daqui não fala em ética. Acho que ética é viver o Direito do outro. Direito é viver a ética porque ética é respeitar o outro.
   Os homens daqui são asquerosos. Eles passam por cima de tudo para alimentar a sua vaidade. E não falo só de um. Aqui não se namora em praça..... Ninguém vê as pessoas namorando nas praças. Aqui, namora-se dentro de carros. E a juventude se burocratiza. As pessoas não paqueram, não andam de mãos dadas. Elas ficam e depois assumem se acham conveniente... A minha juventude era linda. Ou pelo menos a cena que eu criei, como disse Rubem Alves. A cena.... Aquela externalização da sua psiquê. As pessoas não estão se importando em viver poesia. Vivem se burocratizando... Fingem que vivem se acham que é conveniente. De conveniência em conveniência.... Burocratizam-se...


"A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar."
Rubem Alves
Relacionamento Tênis e Frescobol por Rubem Alves
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Comportamento
Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: há os casamentos do tipo Tênis e há os casamentos do tipo Frescobol.


Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam mal. Os casamentos do tipo Frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico-me.

Para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta:
"Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?"
Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.

Sherezade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, e terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O Império dos
Sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, Sherezade o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da
eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras.

E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes. Fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo:
"Eu te amo". Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, eu te amo não quer dizer mais nada". É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia
Prado: "Erótica é a alma".
Tênis é um jogo feroz. O objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: O outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada. Palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

Frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra. O erro de um, no frescobol, é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá.... Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão.. O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.

O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres ao vento. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha, para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para
que o jogo nunca tenha fim...

“É mais fácil amar o retrato. Eu já disse que o que se ama é a ‘cena’. ‘Cena’ é um quadro belo e comovente que existe na alma antes de qualquer experiência amorosa. A busca amorosa é a busca da pessoa que, se achada, irá completar a cena. Antes de te conhecer eu já te amava.... E então, inesperadamente, nos encontramos com rosto que já conhecíamos antes de o conhecer. E somos então possuídos pela certeza absoluta de haver encontrado o que procurávamos. A cena está completa. Estamos apaixonados”
Rubem Alves

E sempre lembrar disso...

Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar”
Rubem Alves

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Saudades!!!!

Saudades de escrever no blog. De postar, como dizemos na linguagem internáutica...
Eu na minha linda e triste vida (de) doméstica, escrevo, em um de meus poucos momentos egoísticos para gastar parte das minhas vinte e uma mil palavras disponibilizadas pela minha mente para serem gastas diariamente.
Tagarelice, com certeza, é hereditária. Pois não é que Marininha, Marina Hosana, aquela pirralha de dois aninhos puxou a mamãe... Fala "que nem presta"! E eu , compenetrada nos meus afazeres domésticos, quase não acompanho o ritmo da infanta.
A verdade é que eu ás vezes queria ser muitas para acompanhar todos os ritmos (inclusive o do meu marido!)
O problema é que tentar abarcar o mundo não é uma grande idéia, sabe!!! Quando a gente se encontra muito atarefada, tão atarefada que nem dorme direito DE TÃO ATAREFADA, Da uma vontade de desligar....